LED ou vapor de sódio na iluminação pública: o que muda além da conta
Trocar vapor de sódio por LED muda consumo, manutenção, cor da luz e imagem das câmeras. Comparamos os dois e mostramos o que medir antes e depois da troca.

Como comparamos
Comparamos as duas tecnologias pelo que interessa a quem mantém a rede de uma cidade, não ao fabricante da luminária. Evitamos percentuais fixos de economia e de vida útil: variam com a potência substituída, o projeto e o produto, e mudam a cada geração de LED.
Critérios
- Consumo de energia para o mesmo resultado de iluminação.
- Frequência de manutenção e troca.
- Cor da luz e efeito sobre as câmeras.
- Controle: dimerização e telegestão.
- Custo inicial e forma de contratação.
Por que a pergunta chega à prefeitura
Desde a Resolução Normativa 414/2010 da ANEEL, os ativos de iluminação pública passaram das distribuidoras para os municípios. A conta de energia e a manutenção da rede viraram problema da prefeitura, custeados em geral pela contribuição de iluminação pública. A troca para LED é, por isso, uma das decisões de infraestrutura mais comuns na gestão municipal.
Critério por critério
Consumo
O LED consome bem menos energia para iluminar a mesma via, e parte do ganho vem de direcionar a luz para onde ela é útil, em vez de espalhá-la. Em muitos projetos a redução é da ordem de metade do consumo, mas o número real depende do que é substituído e do projeto luminotécnico. Peça a estimativa por ponto e meça depois.
Manutenção
A vida útil do LED é várias vezes maior que a da lâmpada de vapor de sódio, o que reduz o número de trocas. Mas a luminária LED tem componentes que falham de outro jeito, como o driver e a proteção contra surto, e a falha pode ser parcial: luz fraca, piscando ou com cor alterada. A manutenção muda de natureza, não acaba.
Cor da luz e câmeras
O vapor de sódio produz luz amarelada, com baixa reprodução de cor: à noite, carros e roupas perdem a cor na imagem. A luz branca do LED melhora o que a câmera registra. A escolha da temperatura de cor pesa: luz muito fria ofusca mais e aumenta a poluição luminosa. A relação entre iluminação e câmeras vai além da cor e inclui onde cada ponto está.
Controle
O LED aceita dimerização e controle remoto, o que o vapor de sódio praticamente não permite. Com telegestão, a cidade sabe qual ponto apagou sem esperar reclamação. O guia sobre telegestão de iluminação pública explica o que ela resolve e o que não resolve.
Custo inicial e contratação
A luminária LED custa mais que a lâmpada que substitui, e a troca em massa costuma ser feita por contrato de longo prazo, como parcerias público-privadas ou contratos de eficiência energética. Nesses modelos, o que a cidade paga depende de indicadores; se o indicador não for medido de forma independente, a cidade paga pelo que o contratado declarou.
Veredito
Para uma rede municipal, o LED é a escolha de base hoje, pelo consumo, pelo controle e pela imagem. A decisão que resta é como contratar e como medir. A norma técnica de referência é a ABNT NBR 5101, de iluminação pública, e o projeto deve ser verificado contra ela.
- Antes da troca: inventário ponto a ponto, com potência e estado de cada luminária.
- Durante: registro de cada ponto trocado, com data e modelo.
- Depois: tempo de reparo e pontos apagados medidos pela própria cidade.
O "depois" é onde muitos projetos se perdem. O texto sobre manutenção da iluminação pública mostra como organizar o caminho do chamado ao ponto consertado. É esse caminho que o DirectLuz organiza, com cadastro de cada poste e luminária e o tempo de reparo por região.


